Como de Livrar do Marido e Seduzir um Vampiro
Como de Livrar do Marido e Seduzir um Vampiro
Por: Dayane dos Santos
A MULHER INVISÍVEL

Eu sempre fui boa em não ser vista.

Não no sentido literal — eu não era um fantasma, nem nada assim — mas de alguma forma, ao longo dos meus 31 anos, aprendi a ocupar o menor espaço possível no mundo.

Sempre usando roupas neutras, preferindo tons de cinza, grafite, preto e branco para trabalhar, um coque impecável, alinhado, sem um único fio solto, o que talvez seja um traço enorme de um TOC nunca diagnosticado. Para ajudar, também mantinha sempre a postura reta e passos tão silenciosos quanto meus saltos mínimos de 2 centímetros permitiam.

Uma mulher que não incomoda, não chama atenção, não atrapalha. Uma verdadeira sombra eficiente. E, sendo sincera, por muito tempo, achei que isso era uma virtude.

Na Blackstone Corp, eu era conhecida por quase todos como “a secretária do Sr. Blackstone”, quase nunca “Esther” ou “Senhorita Duarte” ou “a funcionária brilhante que ajuda essa empresa a continuar funcionando”.

Só a secretária.

Mas, como eu sempre aceitei isso, agora não posso reclamar, até por que, essa sou eu, a eficiente secretária de Adrian Blackstone desde os vinte e quatro anos.

Naquela manhã, como todas as outras, cheguei às 7h45. O elevador estava vazio, exceto pelo meu reflexo — coque milimetricamente alinhado, camisa cinza, expressão calma.

Eu parecia… organizada, bem controlada e inabalável, minhas roupas sem um único amassadinho nem na camisa social branca e nem na calça de alfaiataria cinza.

Se ao menos fosse verdade...

— Bom dia, Esther — disse o segurança, sorrindo.

Retribuí com um aceno discreto. Ele era uma das poucas pessoas que lembravam meu nome. Talvez porque eu sempre levava café extra quando sobrava.

Ao chegar ao 38º andar, senti a mudança no ar. Sempre sentia.

O andar da diretoria tinha cheiro de perfume caro, café forte e tensão corporativa. E no centro de tudo isso estava ele: Adrian Blackstone, CEO, conquistador, sorriso perigoso, e meu chefe há sete anos e, por incrível que pareça, mesmo sendo o mais rico no prédio, é mais um dos únicos que recobra a minha existência, na verdade, até demais.

Coloquei a bolsa na mesa, liguei o computador e respirei fundo. O relógio marcava 7h59 quando a porta do escritório dele se abriu.

— Esther, — a voz dele era grave, suave e carregada daquele charme irritante que parecia natural demais — você chegou cedo. Gosto disso. — levantei os olhos.

Ele estava encostado na porta, camisa social preta justa que deixava os músculos definidos, mas sem exagero, bem visíveis, mangas dobradas, o cabelo castanho escuro perfeitamente bagunçado, a pele morena sem uma única mancha.

Um homem que parecia ter sido desenhado por alguém com talento e más intenções.

— Cheguei no horário, senhor Blackstone. — respondi, mantendo o tom profissional.

— E ainda assim cedo — ele sorriu, como se aquilo fosse uma piada particular entre nós, e, na verdade era, mais para ele do que para mim.

Desviei o olhar, digitando algo que não tinha urgência alguma para ser feito, mas eu simplesmente sabia que se não desviasse logo a atenção, talvez fosse arrebatada por aquele homem tão lindo.

O pior é que sempre causava essa reação em mim: meu cérebro travava como um computador velho quando ele ficava me encarando com aqueles penetrantes olhos castanho-esverdeados.

— Sua agenda está na mesa. — informei, pigarreando, tentando fazer com que ele fosse logo trabalhar. — Reunião com os investidores às nove, almoço com o conselho ao meio-dia e entrevista com a revista às três.

— Ótimo, o conselho ama roubar a hora do almoço, não é? — dei uma risadinha, acenando em concordância, mas sem olhar para ele, quanto menos olhasse, menos alucinaria coisas indecentes com ele. — E você? — ele perguntou.

— Eu? — perguntei, perdida, o olhando de relance, mas logo me voltando para o computador novamente.

— Sim, você. Vai almoçar hoje? Ou vai fingir que não sente fome, como sempre?

Abri a boca, fechei, abri de novo. Eu tenho mesmo o mal hábito de não almoçar, comer um lanche na mesa mesmo e continuar trabalhando como uma workaholic maluca, pelo menos nos últimos anos, só não achava que ele realmente percebia e nem porque estava tão mais conversador hoje.

— Eu… ainda não decidi. — disse, por fim.

— Decida — ele disse, com aquele tom que não era uma ordem, mas soava como uma. — Pessoas vivas precisam comer. — franzi a testa.

Que comentário estranho, mas nada que ele já não tenha o costume de fazer, com o tempo, simplesmente aceitei que ele tem um humor estranho ou só refinado demais para mim.

Mas antes que eu pudesse retrucar, ele já tinha voltado para o escritório, deixando a porta entreaberta — como sempre fazia quando queria que eu o chamasse se precisasse.

Suspirei de alívio, mais um dia normal, mais um dia como a verdadeira mulher invisível. Ou, pelo menos, deveria ser.

Às 11h32, meu celular vibrou. Era uma mensagem do meu digníssimo marido. Eduardo.

“Precisamos conversar. Urgente.”

Meu estômago gelou, nesses oito anos com Eduardo, ele nunca me mandou uma única mensagens sobre algo urgente. Ele mal me mandava mensagens, já havíamos chegado à um ponto em que conversar somente pessoalmente em casa era o suficiente, ao menos para mim.

— Tudo bem aí? — Adrian perguntou, surgindo ao meu lado sem fazer barulho algum.

Quase pulei da cadeira.

— Senhor! Eu… — engasguei, colocando a mão no peito para tossir e recuperar o fôlego. — sim. Tudo bem.

Ele inclinou a cabeça, analisando-me com aqueles olhos escuros que pareciam ver mais do que deveriam.

— Se precisar sair mais cedo, me avise.

Assenti, tentando sorrir enquanto ele seguia para o elevador, mas devo ter dado um dos sorrisos mais nervosos da minha vida, já estava acostumada a ele fazendo esse tipo de coisa, as vezes penso se ele é sensitivo já que sempre sabe quando algo está errado comigo, ou se aprendeu a andar como um gato, pois quase nunca o escuto chegar.

Algo dentro de mim dizia que aquela mensagem não era boa. Aquilo ficou martelando na minha mente por horas, mandei mensagem perguntando se Eduardo não podia mesmo falar por mensagem, mas ele não respondeu, o que me enlouqueceu ainda mais.

Sendo assim, às duas e meia, quando o Sr. Blackstone saiu para ir ao local da entrevista, avisei que sairia mais cedo, ao que ele apenas acenou positivamente com a cabeça e fez um leve sinal de dispensa com a mão.

Preparei a agenda do dia seguinte, deixei sobre a mesa dele e saí.

No caminho até o estacionamento, senti meu coração acelerar. Eduardo nunca dizia “precisamos conversar”. Ele era o tipo de homem que evitava conversas sérias como quem evita imposto. Acho que nunca tivemos sequer uma DR porque ele sempre fugia.

Enquanto dirigia, minha mente parecia correr mais rápido do que o carro. Pensando se algo aconteceu com algum familiar, ou se ele foi despedido, o que dos males seria o menor.

Meu peito apertou.

Será que ele quer se separar?

A ideia me atingiu como um tapa. Porém, para minha surpresa, não doeu tanto quanto eu imaginava. Doía… mas não como deveria. Talvez porque, no fundo, eu já sabia que nosso casamento está na mesmice.

Eu fazia tudo. Eu tentava amar por nós dois, demonstrando carinho, tentando não me importar por ele nunca se lembrar das datas importantes, cuidava, zelava, mantinha a casa organizada enquanto ele jogava no maldito videogame que lhe dei de Natal.

Mas mesmo assim, eu não estava preparada para ouvir que tudo acabou.

Quando virei a esquina da nossa rua, senti um frio estranho na nuca.

Estacionei, peguei o elevador, já me sentindo extremamente ansiosa. Quando cheguei ao meu andar, notei que a porta do apartamento só estava encostada.

Eduardo nunca deixava a porta assim, ele tem paranóia com invasões e assaltos.

Preocupada, entrei no apartamento devagar, esperando ver tudo fora do lugar, uma bela cena de tentativa de assalto, briga ou até assassinato, mas, estranhamente, tudo estava no lugar.

— Eduardo? — chamei baixo, entrando.

Sem resposta, até que ouvi um belo e bem exagerado gemido de mulher, que fez meu corpo inteiro congelar. Eu preferia que fosse um assalto. Parecia que o mundo ao redor ficou completamente mudo, exceto pelo som abafado vindo do quarto.

Caminhei até lá, cada passo mais pesado que o anterior.

Meu coração batia tão forte que parecia querer sair do peito. Alcancei a porta, tomei coragem e a abri. Vendo uma cena que eu certamente jamais desejaria ter visto na vida.

Eduardo na cama, segurando os quadris de uma mulher de longos cabelos ruídos que cavalgava sobre ele, gemendo como uma verdadeira atriz pornô.

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