4. Fantasia de coelho
BelindaO carro de aplicativo encosta junto ao meio-fio, e o freio solta um chiado longo. Ergo os olhos pela janela: a torre de vidro escuro parece não ter fim, com pelo menos trinta andares.Ao pisar na calçada, fecho o sobretudo preto sobre o peito. Cruzo os braços bem apertados, conferindo se nenhum pedaço de cetim ou renda da fantasia de coelha escapa da proteção do tecido pesado.Lauren salta pelo outro lado. O sobretudo dela, identicamente escuro, balança aberto a cada passo largo, ostentando o decote do espartilho.— Tá animada? — O sorriso de Lauren nem estremece enquanto ela marcha em direção às portas de vidro do edifício. — Vou passar a cartilha de sobrevivência mais uma vez.Assinto, sentindo o jantar revirar no estômago. Ajusto o arquinho na cabeça, testando a firmeza das orelhas aveludadas, já me perguntando em que momento da minha vida achei que aceitar essa loucura seria uma boa ideia.— Ótimo. Ponto um: ficar nervosa é normal, mas é só uma apresentação de dança. Se a
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