ANTES
O cheiro do hospital público ainda está nas minhas roupas. Um cheiro de desinfetante barato, desespero e morte. Mas a morte que importa agora não tem cheiro. Ela está no silêncio da Vó Idália, deitada naquela cama de hospital, tão pequena, tão frágil, com o coração prestes a desabar sob um peso que ela nem sabe que carrega. Ainda não.
O peso do Vô João não estar mais aqui.
Eles me entregaram os pertences dele numa sacola plástica. Uma camisa xadrez, desbotada. Um relógio de pulso parado.