Mundo ficciónIniciar sesiónEm um reino onde o destino é selado por presas e sangue, uma marca deveria significar amor. Para ela, significou prisão. Escolhida à força pelo príncipe — um alfa tão poderoso quanto implacável — sua vida se torna uma gaiola dourada, onde cada passo é vigiado e cada respiração pertence a ele. A marca em sua pele não é um laço… é uma sentença. Mas algo está errado. Porque, nas sombras da cidade, longe das muralhas do castelo, existe alguém que a faz sentir o que nunca deveria: paz. Um simples ferreiro, de mãos marcadas pelo fogo e olhos que brilham como ouro sob a lua, que a reconhece de um jeito que ninguém jamais reconheceu. E quanto mais ela se aproxima dele… mais a marca em seu pescoço queima. Dividida entre o dever imposto e um vínculo que não deveria existir, ela descobre que o destino pode ter sido manipulado — e que quebrar essa ligação pode custar mais do que sua liberdade. Pode custar sua vida.
Leer másFecho os olhos lentamente quando a brisa suave e gelada desliza contra meu rosto, acariciando minha pele como um raro gesto de liberdade. O ar noturno é fresco, carregado com o cheiro distante da terra úmida e das flores que crescem além dos muros. Por um breve momento, permito-me apenas sentir… e, nesse pequeno instante, sinto-me bem. Leve. Livre. Como se, por alguns segundos preciosos, eu não pertencesse àquela grande prisão dourada onde vivo.
Abro os olhos devagar e encontro o céu estrelado se estendendo infinito acima de mim, pontilhado por luzes que parecem tão distantes quanto a vida que eu gostaria de ter. Permaneço ali por mais um segundo, como se pudesse gravar aquela visão dentro de mim, antes de me levantar do chão com certa relutância. Solto um suspiro longo, pesado, carregado de tudo que não digo em voz alta… antes de, infelizmente, voltar para o lugar que ousam chamar de lar. Muitas garotas do meu vilarejo venderiam seus corações sem hesitar para estar no meu lugar, encantadas com as histórias e promessas que cercam essa vida. Mas, se ao menos soubessem como realmente é viver aqui dentro… se pudessem sentir o peso invisível que carrego todos os dias… não pensariam duas vezes antes de vender suas próprias almas apenas para fugir daquele lugar. O castelo. Sendo noiva do grande príncipe de Rosmiller. Um sonho para muitos… envolto em luxo, poder e status. Mas um grande pesadelo para mim. Entro no castelo sem ser vista, movendo-me com cuidado pelas sombras familiares, como alguém que já decorou cada canto e cada silêncio daquele lugar. Endireito a postura ao cruzar os corredores, assumindo uma expressão neutra e ensaiada, fingindo estar andando por ali já há algum tempo — como se nunca tivesse saído. O som dos meus passos ecoa suavemente pelo mármore frio. Vejo dois guardas caminhando na minha direção rapidamente, seus passos firmes quebrando o silêncio do corredor. — Vossa alteza, procuramos a senhora por todo o canto! — Joseph, o comandante dos guardas, diz, com a voz carregada de urgência ensaiada. E é claro que aquilo não passa de uma encenação bem executada. Joseph sempre me cobre. Sempre. Ele me ajuda com as minhas pequenas escapadas da realidade, como se entendesse que aqueles breves momentos são a única coisa que ainda me mantém inteira. Ele sabe… sabe de tudo que vivo ao lado do príncipe. E, dentro dessas paredes frias, ele acabou se tornando meu melhor — e único — amigo. — Estava apenas andando pelo meu castelo, comandante. Algum problema? — questiono, mantendo o tom firme e a postura impecável, entrando no jogo com naturalidade. — O príncipe queria saber onde estava, alteza! — o guarda Luke diz prontamente. Volto meu olhar para ele e encontro ali uma devoção cega, quase palpável. É o tipo de lealdade que não questiona, que não hesita… e, por algum motivo, isso faz meu estômago se revirar levemente. Dou alguns passos em sua direção, diminuindo a distância entre nós, e toco de leve em seu ombro. Sinto a tensão imediata em seu corpo, como se o simples contato já fosse perigoso demais. Vejo, em seus olhos, o medo — não de mim, mas do que o príncipe poderia pensar se nos visse assim. Inclino-me um pouco, aproximando meus lábios de seu ouvido, deixando minha voz sair em um sussurro carregado de provocação contida. — Pergunte ao seu príncipe se ele também quer saber a cor da calcinha que escolhi usar hoje. Dito isso, afasto-me com a mesma tranquilidade calculada, como se nada tivesse acontecido, e sigo pelo corredor na direção do meu quarto, deixando para trás o silêncio tenso — e o desconforto que faço questão de provocar. Ouço passos firmes ecoando atrás de mim, quebrando o silêncio do corredor, e não preciso me virar para saber que é Joseph. Eu reconheceria aquele ritmo em qualquer lugar — seguro, controlado, sempre atento. Assim que levo a mão à maçaneta para abrir a porta do meu quarto, sinto seus dedos envolverem meu pulso com firmeza, impedindo-me de entrar. — Eu já sei o que vai dizer! — murmuro, virando o rosto para encará-lo, mantendo a voz baixa, mas carregada de impaciência. — O tempo limite é vinte minutos. Você está lá fora há mais de trinta. — Ele diz em um tom igualmente baixo, porém muito mais rígido, seus olhos percorrendo rapidamente o corredor antes de voltar para mim. — Se demorasse mais um pouco, não só você seria descoberta, como eu teria que caçá-la… e puni-la contra a minha vontade! Reviro os olhos, cruzando os braços com desdém, como se suas palavras não tivessem peso — mesmo sabendo que têm. — Não me doeria ser punida. Só de viver aqui já é uma tortura! — respondo, deixando escapar um pouco da frustração que guardo constantemente. Antes que eu possa me afastar, ele me puxa levemente para mais perto, diminuindo o espaço entre nós. Seu semblante muda, a rigidez dando lugar a algo mais humano… mais cansado. — Se para você não vai doer… então, por favor, pense em mim. — Sua voz baixa ainda mais, quase um pedido. — Me doeria ter que punir você. Por um instante, o peso das palavras dele se instala entre nós. Joseph solta meu pulso devagar, como se relutasse em perder aquele contato. — Eu não quero ter que açoitá-la de novo. — Ele completa, soltando um suspiro pesado, passando a mão pelo rosto em sinal de cansaço. — Primeiro porque isso me machuca… e, segundo, porque minha esposa deixou bem claro que vai me açoitar se eu não protegê-la de outro castigo. Não consigo conter o leve sorriso que surge nos meus lábios diante daquilo. A tensão do momento se quebra, ainda que por pouco. Dou um passo à frente, diminuindo novamente a distância entre nós, e deposito um beijo rápido em sua bochecha — um gesto simples, mas cheio de significado dentro daquele lugar onde quase nada é genuíno. — Você é um grande amigo, lobão! — brinco, com um leve brilho nos olhos. Ele revira os olhos imediatamente, como sempre faz, claramente incomodado com o apelido que insisto em usar. — Tenha uma boa noite, sua pirralha! — ele retruca, mas há um tom mais leve em sua voz agora. Rio baixo, deixando o som escapar de forma sincera, e finalmente abro a porta. Ao cruzar o limite do meu quarto, sinto o peso invisível voltar a se acomodar sobre meus ombros, como se a liberdade tivesse ficado do lado de fora. Ainda assim, entro… e fecho a porta atrás de mim. ... Sinto como se estivesse suspensa entre a realidade e o sonho, presa em um limiar estranho onde meu corpo descansa, mas minha mente permanece desperta. É como estar dormindo… e, ao mesmo tempo, consciente de cada detalhe ao meu redor, incapaz de escapar completamente. Escuto passos se aproximando da minha cama, suaves, porém firmes o suficiente para fazer meu coração acelerar no peito. Em seguida, sinto o toque leve em minha bochecha — quase delicado demais — e o colchão afundando ao lado do meu corpo, denunciando sua presença. Abro os olhos lentamente, como se cada movimento exigisse esforço, e o vejo ali. O príncipe. O grande Eros Rosmiller. — Desculpe se lhe acordei! — Ele diz, com aquela voz mansa e calma, cuidadosamente controlada, como se cada palavra fosse ensaiada. Antes… no começo… talvez eu tivesse me deixado levar por essa falsa calmaria, por essa máscara de gentileza que ele veste com tanta perfeição. Mas agora… agora eu conheço seu jogo. Sei exatamente como ele manipula, como constrói essa imagem para esconder o que realmente é. Ainda assim… há momentos em que fraquejo. Momentos em que me permito acreditar, nem que seja por um segundo, que seu cuidado possa ser real. — Já estava um pouco acordada! — murmuro, mantendo a voz baixa e controlada. Ele apenas acena com a cabeça, os olhos desviando por um instante para o chão, como se estivesse organizando os próprios pensamentos. Em seguida, se ajeita na cama, sentando-se ao meu lado com uma naturalidade que me incomoda mais do que deveria. — Sumiu hoje! — Ele comenta, em um tom aparentemente casual. Mordo os lábios, sentindo a tensão se instalar no meu corpo. — Estava apenas no jardim do castelo… sempre fico por lá! — conto, escolhendo cada palavra com cuidado. Ele me olha então. Sério. Intenso. Como se estivesse tentando atravessar minhas mentiras com o olhar. — Não suma da minha vista, humana! — Ele diz, e, apesar do tom não ser alto, há algo ali que me faz prender a respiração. Apenas aceno com a cabeça, em silêncio. Ele se inclina em minha direção e deposita um beijo em minha bochecha. Um gesto que, para qualquer outra pessoa, poderia parecer carinhoso… mas que, para mim, faz minha pele arder, como se seu toque deixasse marcas invisíveis. — Você é minha! — Ele diz, sua voz baixa e firme, antes de beijar minha bochecha novamente. — Só minha. Meu estômago se revira. — Mas não vou tomá-la hoje… preciso resolver algumas pendências do castelo! — ele sussurra, próximo demais. Graças à deusa da lua… obrigada. — Que pena! — respondo, forçando um tom de decepção que não sinto, sustentando a farsa que aprendi a manter. Pelo menos essas minhas falsas interações de carinho ajudam a manter o lado obsessivo dele sob controle… e, por isso, sou grata. É a única forma de sobreviver aqui dentro. — Logo voltarei! — Ele diz, levantando-se da cama. Mas, antes de se afastar completamente, se inclina novamente até meu ouvido, invadindo meu espaço. — Espero que tenha escolhido a calcinha vermelha para mim! — sussurra, antes de se afastar e sair do quarto. A porta se fecha, e o silêncio retorna. Sinto o choro subir, queimando em minha garganta, implorando para escapar. Meus olhos ardem, minha respiração falha por um instante… mas engulo em seco, forçando tudo de volta para dentro. Até quando…? Até quando vou ter que viver assim?— Entre. Abro a porta e entro no quarto. Eros está sentado na cadeira, de frente para a mesa, analisando vários papéis espalhados. Aproximo-me lentamente. Ele está sem camisa, deixando à mostra seus músculos fortes e bem definidos. Paro atrás dele e passo as mãos por seus ombros, iniciando uma leve massagem. Eros solta um suspiro baixo e inclina a cabeça para trás, apoiando-a contra minha barriga. — Esse príncipe vai acabar com os meus lucros de reserva… — ele murmura, irritado. Mordo os lábios, nervosa, mas sem deixar transparecer. — Você vai conseguir resolver isso… você é o mais forte daqui — digo, inflando o ego dele. Eros solta um riso curto, carregado de arrogância. — Sim… eu sou. Dou a volta na cadeira, ficando à sua frente. Ele a gira levemente para me encarar melhor, e seu olhar percorre todo o meu corpo, sem pressa. — Já falei o quanto gosto de você vestida com essa camisola? — ele questiona, tocando de leve o tecido. — Já, sim… — respondo, tentando soar sedutora
A noite cai silenciosa sobre o castelo, mas dentro de mim tudo ainda está em movimento. A cena da praça não sai da minha cabeça. O olhar de Eros. A forma como ele se conteve… aquilo não era controle, era cálculo. Ele não atacou porque não podia — não ali, não na frente de todos. Mas eu sei… sei que ele não vai deixar isso passar. E isso me dá ainda mais urgência. Assim que tenho a primeira oportunidade, escapo novamente. A janela já não parece tão alta quanto antes. O medo ainda existe, mas agora ele vem acompanhado de algo mais forte… necessidade. Meus pés tocam o chão com leveza e, sem hesitar, sigo pela floresta, guiada quase que por instinto. E, como sempre… Ele está lá. Logan surge entre as sombras, como se fizesse parte da própria noite. Seus olhos encontram os meus imediatamente, e há algo neles que suaviza ao me ver — algo que só aparece comigo. — Eu sabia que você viria — ele diz, a voz baixa, mas carregada de certeza. Paro a poucos passos dele, minha respiração aind
O corredor está vazio quando encontro Joseph novamente.Espero alguns segundos antes de me aproximar, certificando-me de que não há ninguém por perto. Meu coração ainda bate rápido — não pela corrida, não pelo medo imediato… mas pelo peso do que estou prestes a dizer.— Joseph… — chamo baixo.Ele para no meio do caminho e se vira imediatamente, o olhar atento, como se já esperasse problema.— O que foi agora? — pergunta, em tom contido, mas claramente tenso.Dou mais alguns passos até ele, diminuindo ainda mais a voz.— Eu encontrei Logan de novo.O maxilar dele se contrai na mesma hora.— Lilian… — ele começa, claramente já irritado, mas eu interrompo antes que ele continue.— Escuta primeiro.Há algo na minha expressão que faz ele parar. Relutante, ele suspira e olha ao redor rapidamente antes de se aproximar mais, ficando próximo o suficiente para que ninguém mais ouça.— Fala.Respiro fundo, organizando os pensamentos.— Ele tem um plano.Joseph franze levemente a testa, desconfia
O salão de refeições está silencioso demais naquela manhã. O som dos talheres, das cadeiras sendo levemente arrastadas, tudo parece contido, como se até o ar soubesse que algo está errado. Tento manter a postura, os movimentos controlados, os olhos baixos o suficiente para não chamar atenção… mas por dentro, meu corpo inteiro ainda está em alerta. Sinto antes mesmo de ouvir. O olhar dele. Eros. — Onde você estava ontem à noite? — a voz dele corta o silêncio com facilidade, firme, direta. Minha mão trava por um segundo sobre a mesa. Levanto o olhar devagar, encontrando o dele do outro lado. Há algo diferente ali. Não é só irritação… é desconfiança. E isso é pior. Engulo em seco, forçando minha voz a sair estável. — Eu… estava na biblioteca. A resposta sai simples, mas meu coração dispara no mesmo instante, batendo forte demais contra o peito. Tento manter a expressão neutra, como se não houvesse nada de errado… como se não fosse uma mentira. Por alguns segundos, ele não diz





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