HOJE
O silêncio no bunker depois de tudo que acabei de contar era absoluto, um vácuo que sugava até o som da minha própria respiração presa. Eu estava no sofá, mas ainda podia sentir meu corpo tremendo no asfalto frio da zona industrial, os olhos queimando com o reflexo das chamas laranjas. O cheiro de fumaça era um fantasma na minha garganta mesmo depois de tantos anos.
Dante era uma estátua sombria contra o branco ofensivo da cozinha. Ele não tinha se mexido um milímetro durante meu relato mo