Meus olhos não se desviaram dos dela. Eu via o choque, depois a raiva, depois algo que poderia ter sido medo; um medo antigo, de perder o controle, de encontrar algo que não podia intimidar.
Por um segundo, parecemos duas predadoras travadas em um impasse mortal sobre o corpo de uma presa.
Então, lentamente, soltei seu pulso.
Valéria recuou como se minha mão tivesse queimado, agarrando o pulso como se estivesse ferido. Sua respiração estava irregular, seu rosto manchado de duas manchas vermelhas nas maçãs.
— Como... como você ousa? — ela sibilou, mas a força tinha saído de sua voz. O teatro tinha sido quebrado por algo real e perigoso.
Mas a voz de Valéria cortou o ar, e a fúria genuína que deveria carregá-la soou oca, abafada pelo choque. O teatro do almoço tinha desmoronado, revelando o palco vazio de sua autoridade, e os espectadores ao redor – os garçons imóveis, os poucos comensais ricos em mesas próximas que haviam silenciado seus talheres para assistir – viram. Todos viram.
Foi