DANTE
A porta fechou-se atrás delas.
O leve click do mecanismo de fechamento é o único som na sala que parece ter parado no tempo. O perfil ereto de Elara, conduzindo Eva com uma firmeza gentil, desapareceu atrás do carvalho polido. Ela não olhou para trás. Claro que não. A mulher que segurou o pulso da minha mãe não é do tipo que busca validação.
O vácuo que elas deixaram estava sendo, carregado com o cheiro agridoce do vinho tinto evaporando no ar condicionado e do rancor que emana das duas mulheres que restavam à mesa.
Minha mãe respirou fundo. Vi o movimento no canto do olho, o peito subindo e descendo com uma fúria mal contida. Ela estava se recompondo, transformando a humilhação pública em pó de veneno, escolhendo as palavras que vão perfurar. Conheço o processo. Cresci vendo-o em ação.
— Dante.
Meu nome na boca dela não era um chamado. Era um estalido de dedos, uma convocação para que eu me alinhe, para que eu ratifique a narrativa. Para que eu destrua a anomalia.
Viro-me lenta