O ar na sala parecia ter cristalizado ao redor da palavra de Valéria. Aquisição. Ela não me via como pessoa, mas como um item que Dante tinha obtido. E a forma como ela disse, com aquele sorriso cortante, deixou claro que ela questionava seu gosto na compra.
A tensão entre mãe e filho era palpável — uma história inteira de controle e rebelião silenciosa escrita na postura rígida de Dante, no sorriso muito perfeito de Valéria. Eu podia sentir os anos de batalhas travadas naquela sala, nas paredes que testemunhavam o menino que ele fora sendo moldado no homem de gelo que ele era.
— Elara está fazendo um excelente trabalho — disse Dante, sua voz plana, mas com uma firmeza que era uma muralha erguida entre mim e o julgamento da mãe. — Eva está respondendo bem. Está mais... calma.
Valéria não perdeu um microssegundo. Seus olhos azul-gelo piscaram, captando a defesa. Não uma defesa da profissional, mas uma defesa pessoal. Ele não precisava dizer aquilo. Podia ter concordado, mudado de assun