A certeza era fria e clara como vidro: nenhuma das roupas na minha mala simples — vestidos de algodão, jeans, blusas básicas — impressionaria Valéria Herrera. Ela vivia em um mundo de costuras invisíveis, tecidos que custavam mais do que meu aluguel de um ano, sapatos que eram obras de arte em couro. Minhas roupas eram sobre sobrevivência, não sobre declaração.
Mas, afinal, quem se importava? Eu não estava indo àquele almoço para ser aceita. Estava indo por Eva. Para ser um rosto familiar em um mar de frieza calculada. Um porto seguro. Nada mais.
Troquei para o vestido mais neutro que tinha — azul-marinho, simples, sem adornos — e dei uma escovada rápida no cabelo. Meu reflexo no espelho do anexo parecia pálido, os olhos ainda marcados pela noite em claro no hospital. Pareço exatamente o que sou, pensei com amargura, uma intrusa cansada e fora do lugar.
Quando saí, encontrei Eva descendo do carro com o motorista, sua mochila escolar nas costas parecendo grande demais para seu corpo pe