O sorriso de Valéria Herrera não alcançava seus olhos. Era um acessório perfeito, como os brincos de pérolas e o colar discreto de diamantes — necessários para a composição, mas sem vida própria.
— De onde você vem, querida? — a pergunta soou leve, quase desinteressada, enquanto seus olhos azul-gelo me escaneavam do cabelo, preso em um rabo de cavalo simples, até os sapatos flats, um pouco gastos nas pontas.
— Da cidade, senhora — respondi, mantendo a voz neutra. — Cresci aqui.
— Ah, uma nativa