ANDRÉ
Ela saiu correndo como se o inferno estivesse atrás dela.
Fico paralisado na sala de terapia, ouvindo seus passos apressados descendo as escadas. O som dos saltos ecoa no mármore como batidas aceleradas do meu próprio coração. Diminuem. Distanciam-se. Silêncio.
Ela se foi.
Não vou fugir, disse.
Mentira. Pelo menos por enquanto.
Passo a mão no rosto, sinto a barba por fazer, o cansaço nos olhos. O peito dói — não o ferimento, isso já está cicatrizando. É outra coisa. Uma dor antiga que pe