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Capítulo 8 — Me entreguei para o Don

Samara encarou Don Ruan com um sorriso sem graça, quase forçado. A voz saiu baixa, trêmula, como se cada palavra pesasse:

— Eu... Aconteceu alguma coisa para o senhor estar aqui?...

Ruan estreitou os olhos, o olhar frio e penetrante fixo nela. O silêncio que se seguiu foi sufocante. Ele deu um passo à frente, a postura firme, imponente.

— Aconteceu... — disse com firmeza, cada sílaba carregada de ameaça silenciosa.

Samara mexia as mãos entrelaçadas, nervosa, os dedos se apertando como se buscassem força. O coração acelerado denunciava que ela já sabia do que se tratava. Mas a pergunta que martelava em sua mente era: como Ruan havia descoberto?

Ele não lhe deu tempo para pensar.

— Aconteceu! Onde está a Graziele? Por que me trouxe a moça errada? — perguntou, exigindo explicação, embora sua voz permanecesse calma, quase controlada.

Samara arregalou os olhos, fingindo surpresa:

— O quê?! Como assim?...

Ruan avançou mais um passo, a sombra dele cobrindo parte do rosto dela.

— Não se faça de desentendida, por favor! Eu tenho coisas importantes para fazer. Não quero perder muito tempo aqui.

Samara recuou meio passo, o corpo rígido.

— Não estou entendendo onde o senhor quer chegar... — tentou se defender, mas sua voz tremia.

Ruan perdeu parte da paciência, o tom mais duro agora, quase cortante:

— Não quero chegar em lugar nenhum até você falar por que mentiu e onde está a moça que esteve comigo ontem à noite e desapareceu ao amanhecer! Porque essa é a Débora, sua filha mais velha... Mas foi a Graziele, sua filha mais nova, que passou a noite comigo.

O silêncio tomou conta da sala. Débora, ao lado, ficou um pouco nervosa com a situação, mas não se envolveu. Mexia nos cabelos, distraída, como se quisesse escapar da tensão. Seus olhos, no entanto, se fixavam em Ruan.

Ela lembrava do rapaz da festa, da noite intensa no carro, e por um instante confundiu as imagens. Por que Don Ruan parecia tanto com aquele homem? O pensamento a fez sorrir discretamente, olhando para o chão, como se estivesse em outro mundo.

Samara respirou fundo, tentando se recompor. O suor escorria pela testa, denunciando o nervosismo.

— Me desculpa, Don Ruan. Eu apenas queria...

Ele a interrompeu, ríspido, a voz firme como aço:

— Me enganar. Está pensando o quê? Que qualquer um você pode sair enganando por aí!? Deve estar acostumada a fazer isso, não é?

Samara balançou a cabeça, desesperada, os olhos marejados:

— Não! Eu só não queria lhe entregar a minha filha mais velha... Ela tem um namorado e eu apenas queria proteger ela. — explicou nervosa, as mãos trêmulas. — Olha como ela é linda...

Ruan a encarou em silêncio por alguns segundos que pareceram eternos. O olhar dele era frio, calculista, mas havia algo mais: uma mistura de raiva e desejo contido, não por ela, mais por Graziele. Ele sabia que Samara estava mentindo, sabia que havia sido enganado, e não iria aceitar isso.

Débora, ainda mexendo nos cabelos, desviou o olhar para Ruan novamente. O coração dela disparava. O homem diante dela era poderoso, elegante, e ao mesmo tempo lembrava intensamente aquele rapaz da festa. A confusão em sua mente a deixava desconcentrada, mas também curiosa.

Samara, por sua vez, sentia o peso da presença dele. Cada palavra de Ruan era como uma sentença, cada olhar um julgamento. Ela sabia que não conseguiria escapar facilmente daquela situação.

— E então... Cadê a moça? — perguntou Ruan, a voz grave ecoando pela sala.

Samara respirou fundo, tentando manter a calma.

— Ela está ocupada agora... — respondeu, quase sussurrando.

Ruan estreitou os olhos, não satisfeito.

— Mas está aqui, não é?

Samara hesitou, mexendo as mãos entrelaçadas, mas acabou confirmando:

— Sim... Mas a Graziele é meio... sem sal, não tem interesse no senhor. Ela prefere esses homens simples e sem sabor. — disse em tom baixo, como se tentasse justificar. — Tenho certeza de que ela não vai querer mais nada com você.

Aos poucos, Samara recuperava o controle da situação. O nervosismo dava lugar a uma calma calculada.

— Mas olha... Como eu lhe disse... Essa é a Débora, a moça que prometi uma noite a você. Então, se você quiser, pode conhecer ela. Ela é uma moça adorável. — completou, forçando um sorriso. — E eu peço desculpas por ter mentido para você.

Ruan ergueu o queixo, o olhar frio e fixo nas duas.

— A Débora tem namorado... Você acabou de falar minutos antes. Além disso, eu quero a Graziele. — afirmou com firmeza.

Samara engoliu em seco.

— Tem certeza?

— Sim. — respondeu Ruan, calmo, mas com os olhos azuis faiscando determinação.

Ele permaneceu em silêncio, observando Samara, esperando que ela dissesse mais alguma coisa. Mas não havia nada que pudesse convencê-lo. A ideia de fazê-lo se interessar por Débora não funcionava. Nada tirava Graziele da cabeça de Don Ruan.

O ambiente ficou pesado, o silêncio cortado apenas pelo som distante de um relógio marcando os segundos. Débora, ao lado, mexia nos cabelos, desconfortável. Seus olhos se fixavam em Ruan, lembrando do rapaz da festa, e a confusão em sua mente a deixava inquieta.

Poucos minutos depois, o som de passos leves ecoou pelo corredor. Graziele surgia no topo da escada. Era sua folga, e havia acordado tarde. O relógio marcava onze da manhã.

Ela descia devagar, ainda sonolenta, usando um vestido fino de alcinha. Os cabelos ruivos estavam bagunçados, caindo sobre os ombros, e ela esfregava os olhos com a mão, tentando afastar o sono.

— Mãe... Tá tudo bem aqui?... — perguntou, a voz suave, sem imaginar o que a esperava.

Ao erguer os olhos, viu Ruan parado na sala. O choque foi imediato. Seus olhos se arregalaram, os lábios entreabertos, o corpo paralisado.

— Você... — sussurrou, incrédula. — O que tá fazendo aqui?...

Ruan deu um passo à frente, o olhar fixo nela.

— Graziele. — murmurou, a voz baixa, carregada de intensidade.

Ele se aproximou lentamente, cada movimento calculado. Quando chegou perto, levantou uma mecha dos cabelos ruivos dela e a colocou para trás, revelando o rosto delicado. Sua mão tocou suavemente a pele dela, quente e macia.

Graziele permaneceu imóvel, sem reação, o coração acelerado.

— Enfim te encontrei de novo... Graziele.

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