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Capítulo 3 — Uma última noite antes de encontrar com ele

Graziele estava deitada na cama, abraçando uma almofada como se fosse um escudo contra o mundo. O olhar perdido denunciava o torpor que a dominava. Três batidas suaves ecoaram na porta. Ela ergueu a cabeça lentamente, os olhos verdes semicerrados, e viu a irmã entrar.

Débora deslizou pelo quarto com passos calculados, o tecido branco e folgado da camisola acompanhando o movimento dos quadris. Os cabelos longos e pretos caíam sobre o braço, escorrendo como seda. Os olhos castanhos, brilhantes e provocativos, pousaram sobre Graziele. Linda, 23 anos, carregava no corpo e no sorriso a certeza de quem nunca foi fiel a um só homem.

Ela se aproximou sem pressa, sentou-se na beirada da cama e cruzou as pernas, ajeitando os cabelos com um gesto ensaiado. Graziele, ainda abraçada à almofada, desviou o olhar, ignorando a presença da irmã.

— Vou para uma festa amanhã... — murmurou Débora, arrumando a camisola curta sobre o corpo bem delineado. A voz saiu baixa, quase sedutora. — Minha amiga Nicolle disse que vai ter muitos homens gostosos... e eu quero saborear um pouco.

Graziele virou o rosto para ela, balançando a cabeça em desaprovação. Os olhos verdes faiscavam de impaciência.

— Você vem aqui pra me falar isso, Débora? Sai daqui. — disse, a voz firme, perdendo a paciência. — Não é surpresa pra mim você trair o Daniel várias vezes em uma só noite.

Débora sorriu de canto, mordendo os lábios como quem saboreia a provocação. Inclinou-se mais perto, o perfume doce invadindo o espaço.

— Olha, vamos comigo se divertir um pouco... — fez uma pausa, os olhos semicerrados em desafio. — Você sempre quis dar uma de certinha, e olha o que aconteceu. A festa é às seis, e você só vai ver o tal homem umas nove da noite. Até lá já aproveitou bastante.

Graziele apertou a almofada contra o peito, como se quisesse se proteger da tentação e da raiva.

— Eu não vou! — respondeu seca, o tom cortante.

Débora ergueu o queixo, ajeitou os cabelos com desdém e levantou-se suavemente. Os cabelos negros deslizaram pelo ombro enquanto ela caminhava até a porta.

— Bom... você que sabe. Até amanhã às seis você decide. Vou dizer aos nossos pais que vamos a um novo café da cidade. Depois podemos voltar a tempo.

O som dos passos se afastando deixou Graziele ainda mais sufocada do que já estava com aquela situação.

Graziele, exausta do dia, adormeceu poucos minutos após conversar com a irmã. Quando despertou, o sol já iluminava novamente sua rotina. Trabalhou até o meio-dia, mas sua mente estava ocupada com o compromisso da noite.

Os pais, percebendo a ocasião especial, sugeriram que aproveitasse para comprar um vestido novo e cuidar dos cabelos. Ela não tinha o hábito de frequentar salões, mas Débora, animada com a própria festa, insistiu em acompanhá-la.

Na loja, Débora caminhava entre os cabides com entusiasmo, os dedos deslizando pelo tecido das roupas. Parou diante de um vestido vermelho curto, levantando-o contra a luz.

— Olha esse vestido!... Nossa, é tão sexy. — disse, encarando Graziele com um sorriso malicioso.

Graziele, por sua vez, segurava um modelo mais comportado, o tecido leve entre seus dedos. Suspirou, cansada, e devolveu-o ao cabide.

— Quer saber? Eu vou também. Que se dane tudo isso...

Débora arqueou uma sobrancelha, satisfeita com a rendição da irmã. Pegou então um vestido preto justo, moldado para realçar curvas.

— Humm!... Então, que tal esse? Vai ficar sensual em você. E pode usar aquele outro para a noite com o tal Ruan.

Graziele hesitou por um instante, mas acabou concordando. As duas saíram da loja com sacolas nas mãos, o som dos cabides ainda ecoando em suas memórias.

Às seis da tarde, já estavam prontas. O perfume recém-aplicado misturava-se ao cheiro de laquê nos cabelos. O silêncio da casa contrastava com a expectativa que crescia dentro delas. Os pais só chegariam mais tarde, e a noite parecia pertencer exclusivamente às irmãs.

O local da festa era amplo, iluminado por luzes coloridas que se refletiam nos copos e nas roupas brilhantes. O som da música vibrava no peito, misturado ao burburinho das conversas e risadas. Homens e mulheres bem vestidos circulavam com taças nas mãos, criando uma atmosfera de energia e sedução.

Graziele e Débora se acomodaram em uma mesa próxima ao bar. Enquanto a primeira observava discretamente o ambiente, Débora já tinha os olhos fixos em um rapaz sentado a poucos metros.

Ele aparentava cerca de 22 anos, cabelos claros que caíam suavemente sobre a testa, olhos azuis intensos que pareciam brilhar sob a iluminação. Vestia uma camisa branca folgada, que deixava transparecer certa despreocupação, e sorria de forma espontânea, como se cada gesto fosse naturalmente convidativo.

Débora mordeu o lábio inferior, inclinando-se levemente para frente, o olhar percorrendo o corpo dele de cima a baixo. Seus dedos tamborilavam na borda do copo, como se marcassem o ritmo da própria ansiedade.

— Vou transar com ele... — murmurou, quase num sussurro carregado de desejo. — Com certeza esse gato tem mais a me oferecer do que o Daniel...

Graziele arregalou os olhos, levando a mão ao braço da irmã em um gesto de alerta.

— O quê?! Tá louca? Você nem conhece ele. — disse, franzindo o cenho. — Ele pode até ter namorada.

Débora apenas sorriu, inclinando a cabeça de lado, sem desviar o olhar do rapaz. O jogo de olhares já havia começado: ele, percebendo a atenção, ergueu os olhos e por um instante cruzou com os dela. O sorriso dele se alargou, e Débora respondeu com um levantar sutil de sobrancelhas, como quem lança um desafio silencioso.

Graziele, desconfortável, desviou o olhar para a pista de dança, tentando ignorar a tensão crescente. Mas Débora estava entregue ao momento, cada gesto calculado para chamar atenção: o jeito como ajeitava o cabelo, como inclinava o copo para beber lentamente, deixando o rapaz observar o movimento de seus lábios.

— Que sabor, né Graziele... — Murmurou enquanto continuava olhando para o rapaz. — Que sabor.

Graziele apenas balançou a cabeça indignada com a safadeza e infidelidade da irmã.

— Vai mesmo fazer isso com o Daniel? Quer dizer, você já fez isso antes.

Débora sorriu de canto, levou a taça aos lábios e tomou um gole lento da bebida. O líquido escorreu pela garganta enquanto seus olhos permaneciam fixos no rapaz. Com um gesto calculado, pousou o copo na mesa, os dedos deslizando pelo vidro como se prolongassem o momento.

— Aproveita essa noite, Graziele. E, por favor, não enche o saco! — disse, já impaciente, desviando o olhar do rapaz para encarar a irmã. Os olhos castanhos faiscavam com irritação, mas ainda carregavam um brilho malicioso. — Vou apenas experimentar ele... Quero sentir o calor dele. Quero provar o sabor que ele guarda.

Graziele arregalou os olhos, o coração disparando. A almofada que segurava contra o peito parecia inútil diante da ousadia da irmã.

Nesse momento o rapaz se levantou de onde estava sentado, indo em direção a elas.

Débora acompanhava cada gesto dele com o olhar. O sorriso dela se ampliou, os lábios úmidos após o gole de vinho. Mordiscou o lábio inferior, inclinando o corpo levemente para frente, como se quisesse atrair ainda mais a atenção dele.

— Ele tá vindo pra cá... — murmurou, sem desviar os olhos do rapaz. A voz saiu baixa, quase excitada.

Ela então virou-se rapidamente para Graziele, tocando o braço da irmã com firmeza.

— Vai para outro lugar. Quando der o horário eu te encontro e a gente volta pra casa.

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