O dia amanheceu cinza, denso como se carregasse no ar a expectativa de algo que ninguém sabia nomear. A chuva caía fina desde as primeiras horas da manhã, tamborilando nos vidros da cobertura como uma pulsação contida. Helena acordou sem pressa. Não porque estivesse tranquila, mas porque já sabia o que precisava fazer.
Arthur ainda dormia, o corpo levemente virado para o lado onde ela estivera. Helena o observou por um momento. Havia algo de vulnerável em vê-lo assim: desarmado. O cabelo bagunç