Lisboa
O sol já ia alto quando Helena deixou o hospital. O céu de Lisboa era escandalosamente azul, o tipo de azul que feria os olhos de quem carregava cinzas por dentro. As calçadas de pedra refletiam a luz com força, e o ar seco trazia o cheiro discreto do Tejo, sal e tempo misturados numa brisa antiga.
Ela andava sem pressa pelas ruas estreitas do centro, como se estivesse à procura de alguma coisa — um respiro, talvez. Ou só tentando organizar as camadas da própria dor. O pai ficaria mais a