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Capítulo 3: A Gaiola Dourada

POV: Maya

O mundo era um borrão de luar e músculos até que as pesadas portas de carvalho da mansão Blackwood se fecharam atrás de nós. Killian não me colocou no chão. Ele me carregou pela grande escadaria, seu aperto tão forte que era quase doloroso — e ainda assim me vi inclinando-me para ele, meu rosto enterrado na curva de seu pescoço. O cheiro dele estava em toda parte agora, afogando o medo, afogando a memória do aviso do Ancião Godric.

Quando ele abriu as portas de sua suíte master com um chute e me jogou na vasta cama coberta de peles, a realidade do que eu tinha feito finalmente me atingiu. Eu deixei que ele me levasse. Deixei que ele desafiasse as leis do nosso povo por mim.

— Killian — sussurrei, minha voz tremendo enquanto eu recuava contra a cabeceira. O quarto estava na penumbra, iluminado apenas pelas brasas moribundas na lareira, lançando sombras longas e bruxuleantes sobre seu rosto predatório. — Eles virão atrás de nós. Meu pai... os Anciãos... eles não vão deixar isso passar.

Ele não respondeu. Apenas ficou parado ao pé da cama, desabotoando lentamente a camisa, seus olhos de âmbar brilhando com uma luz que fazia meu interior derreter. Minha pele parecia apertada demais, um calor febril florescendo entre minhas coxas que eu não conseguia mais ignorar. Meu primeiro cio estava chegando, e o único homem que poderia extinguir o fogo era aquele que acabara de declarar guerra ao mundo para me ter.

— Killian! — exigi, um calafrio percorrendo minha estrutura esguia.

O herdeiro Blackwood continuou a se despir. A camisa caiu de seus ombros para o chão com uma lentidão agonizante, dando-me uma visão clara do que esperava sob suas roupas. Seus ombros eram bronzeados, os músculos delineados com tinta preta e espessa. Segui os redemoinhos de suas tatuagens, traçando um caminho ao longo de seus braços. Meu olhar foi atraído para baixo, para as linhas esculpidas de seus quadris. Engoli em seco, subitamente consciente da umidade entre minhas pernas. Deus, isso estava realmente acontecendo.

Ele sabia. Todo Alfa conseguia sentir o anseio desesperado da luxúria de sua parceira — os feromônios potentes e enjoativos — quando estavam próximos. O que significava que ele estava tão embriagado pela minha necessidade quanto eu pela dele. Como eu deveria escapar disso, quando tudo o que ele precisava fazer era entrar em um quarto, e meu corpo todo doía com a necessidade de tê-lo dentro de mim?

Enquanto Killian me observava lutar para manter o que restava da minha compostura, um rosnado baixo vibrou profundamente em sua garganta. O som feral quebrou minhas defesas, deixando meu pulso batendo descontroladamente sob minha pele. Congelei enquanto suas pernas se moviam para subir no colchão, prendendo-me sob ele. Seus ombros poderosos bloqueavam o resto do quarto, reduzindo minha visão apenas a ele. Não pude deixar de arquear as costas, um sinal subconsciente do meu desejo pelo seu toque.

Minhas costas arquearam involuntariamente, buscando cada centímetro de contato com sua pele ardente. O peso de Killian sobre mim era esmagador, uma pressão pesada e dominante que minha loba gritava para sentir. Eu sentia cada músculo tenso de seu peito nu contra meus seios, o calor irradiando dele em ondas que alimentavam a febre do meu primeiro cio.

— Olhe para mim, Maya — ele ordenou, sua voz um rugido baixo e vibrante que parecia reverberar profundamente em meu útero.

Eu obedeci. Seus olhos não eram mais âmbar; eram poços de escuridão dourada e líquida, suas pupilas tão dilatadas que mal restava cor. Suas mãos, grandes e calejadas, deslizaram pelas minhas coxas, arrastando o tecido do meu vestido com elas. O contraste do ar fresco e do calor de suas palmas me fez soltar um ganido agudo — um som de necessidade pura e absoluta.

— Você está queimando por mim, não está, pequena Thorne? — ele sussurrou, seu rosto descendo até seus lábios roçarem o lóbulo da minha orelha. — Consigo sentir o cheiro da sua submissão. Consigo sentir o quanto você está ensopada, implorando para que eu acabe com esta tortura.

Minhas unhas afundaram em seus ombros largos, e não tentei empurrá-lo. Em vez disso, envolvi minhas pernas em sua cintura, puxando-o totalmente contra mim, querendo sentir o comprimento rígido de seu pau pressionando contra o meu centro dolorido.

— Por favor, Killian... — as palavras saíram como um soluço quebrado. Eu não sabia exatamente pelo que estava implorando, mas sabia que, se ele se afastasse agora, eu morreria.

Ele rosnou ao ver as marcas de seus próprios dentes no meu pescoço, seus olhos escurecendo ainda mais. — Minha — ele reivindicou, sua mão deslizando para baixo para abrir minhas dobras, encontrando-me úmida e pronta para ele. — Diga-me a quem você pertence, Maya. Diga meu nome.

Meus quadris deram um solavanco, exigindo mais do que seus dedos provocadores; seu toque era quase doloroso agora que eu estava no auge do cio, e sua marca queimava, deixando-me tremendo com um desejo implacável que só ele poderia saciar.

— Sua — ganí, minha respiração falhando em uma onda súbita de desejo tão intensa que era cegante. — Sua, Killian, sempre foi você.

— De novo. — Sua mão apertou minha coxa.

— Killian — suspirei, jogando a cabeça para trás contra os travesseiros, meus olhos semicerrados de prazer enquanto seus dedos instigavam o ponto latejante de necessidade entre minhas pernas a novos patamares de desespero. Abri a boca, minha respiração irregular um sussurro da palavra que eu não podia negar — embora já a tivesse dito em voz alta. Era o único segredo que eu guardara do meu maior inimigo. — Sou sua. Sempre fui, sempre serei. Sua.

Killian inclinou-se para frente, seus dentes roçaram o ponto de pulsação do meu pescoço, raspando contra minha pele em uma promessa de rendição total. Mas, justamente quando o mundo estava prestes a desaparecer no prazer, um ESTALO estrondoso e massivo ecoou lá de baixo.

O som das portas da frente da mansão sendo escancaradas com força sobrenatural reverberou pelas tábuas do chão, vibrando direto em meus ossos. Killian congelou, sua cabeça virando bruscamente para a porta do quarto, suas pupilas tornando-se adagas letais.

— Thorne — ele sibilou, o nome soando como uma sentença de morte.

Lá embaixo, uma voz rugiu — fria, afiada e transbordando uma autoridade que costumava me fazer tremer durante o sono. Alaric Thorne.

— Blackwood! Traga minha filha para fora agora, ou eu queimarei este antro de sujeira até o chão! — a voz de meu pai ecoou pela grande escadaria, seguida pelo baque pesado e rítmico de botas táticas e os rosnados de seus executores.

Meu coração despencou. O calor no meu sangue transformou-se em gelo em um segundo. Eu recuei, apertando as peles contra o peito, minha respiração vindo em arquejos irregulares. — Killian, ele está aqui... ele vai nos matar — sussurrei, o velho terror da mão de Alaric agarrando minha garganta.

Killian não parecia assustado. Ele parecia um deus da guerra. Levantou-se lentamente, seus músculos nus ondulando à luz do fogo enquanto suas garras se desembainhavam com um clique metálico. Ele não procurou uma camisa; não precisava de uma.

— Deixe-o vir — Killian rosnou, caminhando em direção à porta do quarto no momento em que as maçanetas começaram a chacoalhar. — Estou esperando há muito tempo por um motivo para acabar com essa linhagem patética.

Killian Blackwood não piscou quando uma lâmina de prata atravessou a madeira antiga. Ele estava travado em mim. Vi a escuridão fluindo naquelas profundezas azuis pálidas, uma sombra que mostrava um monstro diferente de tudo o que eu já vira em meu pai. Pela primeira vez, não desviei o olhar.

Este era um animal diante do qual todos os outros se curvavam, um senhor entre os Alfas. Por tanto tempo quanto eu conseguia me lembrar, eu desviara o olhar, fingindo não sentir seus olhos em mim. Mas eu não podia mais fugir da verdade. Este homem nunca se curvara aos pais ou à matilha que o criou. Nenhuma autoridade o dobrou à sua vontade. Nenhuma — exceto a minha.

Como se os próprios céus tivessem lido meus pensamentos, as nuvens no céu noturno se abriram, iluminando-o em um feixe de luar frio. Ao meu redor, a escuridão evaporou. O tempo congelou no precipício entre a perdição e o êxtase.

Flashback: O Pátio aos 12 Anos

As partículas de poeira congeladas no ar se transformaram em neve pesada. Eu tinha doze anos agora, a idade em que todo herdeiro Thorne já deveria ter sentido o osso quebrar e a pele mudar. Eu estava no centro do pátio, o frio cortante da noite de inverno chicoteando meu vestido fino.

— Transforme-se, Maya! Agora! — o grito de Alaric Thorne ecoou pelas paredes de pedra, carregado de um nojo que eu sentia na pele. Ele não era apenas meu pai; era meu carrasco. — Você já deveria estar liderando caçadas, não tremendo como uma humana defeituosa!

Eu fechei os olhos, implorando para que o lobo acordasse, mas não havia nada além de silêncio e medo. O estalo da luva de couro dele contra o meu rosto foi tão forte que vi estrelas, e o sabor metálico do sangue inundou minha boca enquanto eu caía na lama congelada.

— Inútil — ele sibilou, segurando meu queixo com garras que cortavam minha pele, forçando-me a olhar para sua decepção. — Se você não pode ser uma loba de guerra, será uma moeda de troca. Eu a entregarei ao Alfa mais brutal que encontrar, contanto que ele me dê os netos fortes que você é incapaz de ser.

Um rosnado alto e animal escapou da minha garganta enquanto a memória dava lugar ao presente. Eu me vi de joelhos, tremendo de raiva e medo. Tudo o que eu sabia era que uma fúria primordial havia despertado em minha alma.

A porta do quarto estalou. O cabo de aço de um facão estava projetado para fora dos painéis de carvalho. Encarei o meu destino. Alaric Thorne estava na entrada, flanqueado por dois de seus executores. Em sua mão esquerda, um rifle de assalto. Na direita, uma faca de caça de prata.

— Chega de bobagens — Alaric rosnou, nivelando a arma para a minha cabeça.

O velho medo fora consumido pelo poder bruto do Alfa assistindo seu maior prêmio ser roubado. Tudo o mais desapareceu, exceto os olhos de Killian. Ele deu um passo lento. Outro. Três armas apontadas para ele. Killian parou a centímetros de distância e pousou a palma da mão sobre o metal gelado da arma.

Em um movimento explosivo, o Alfa não agarrou a prata — ele golpeou as armas com as costas do antebraço, o impacto tão violento que enviou o rifle voando das mãos de Alaric. Killian não se importou com a queimadura ardente onde o cano com ponta de prata roçou sua pele; sua carne chiou, o cheiro de pele queimada preenchendo o quarto, mas ele sequer piscou.

Ele invadiu o espaço pessoal de Alaric, ignorando a lâmina de prata do facão que agora tremia contra sua garganta. Ele se inclinou contra a lâmina, deixando-a desenhar uma linha fina de sangue negro e fumegante.

— Você trouxe prata para minha casa para matar seu próprio sangue — Killian rosnou. — Agora você assistirá enquanto eu transformo seu orgulho em sucata.

Com um rosnado, ele agarrou o facão pelo cabo e o arrancou com tamanha força que os dedos de Alaric estalaram. Meu pai soltou um grito furioso, recuando enquanto Killian arremessava o facão contra um pedestal de mármore, estilhaçando-o.

— Você não tem direito sobre ela, Alaric. Ela nasceu para ser minha Rainha. Você não pode impedi-lo o que eu farei para garantir isso.

Minha cabeça girava com o cheiro dele — raiva e um deleite feral em causar dor. Tum, tum, tum. O sangue de Killian não havia desacelerado. Ele parecia inquebrável. Em um momento, ele era uma parede imóvel. No próximo, ele explodiu em violência.

Os dedos de Killian apertaram a garganta do meu pai, seus músculos saltando enquanto ele se preparava para desferir um golpe mortal. Mas conforme o rosto de Alaric ficava roxo, seus olhos encontraram os meus — com aquele comando frio e familiar.

— Maya — Alaric engasgou, um sorriso sangrento nos lábios. — Olhe para o que você escolheu. Uma fera. Um assassino. Você acha que ele te ama? Ele é apenas mais um monstro que vai te quebrar. Venha aqui, garota. Agora. Ou você não é minha filha.

Algo dentro de mim estalou. O trauma de doze anos e o terror da violência desenfreada de Killian colidiram. Killian parecia aterrorizante — seus olhos negros, sua pele fumegando. Ele não parecia meu salvador; parecia meu pesadelo.

— Killian, pare! — eu gritei.

O Alfa congelou, confusão em seus olhos escuros. Eu saí da cama e dei um passo em direção ao meu pai.

— Eu vou com ele — sussurrei, meu coração se estilhaçando ao ver a traição no rosto de Killian. — Por favor... apenas deixe-o ir.

— Maya, não! — Killian rugiu, mas eu recuei de seu toque. O velho medo venceu.

Meu pai levantou-se, rindo sem fôlego. Ele agarrou meu braço com força cruel. — Boa escolha, lobinha. Vamos para casa.

Eu não olhei para trás. Sabia que, se visse o olhar em seus olhos, nunca seria capaz de partir.

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