POV: MayaSete anos atrás.A chuva no território Thorne não caía; ela punia. Lembro-me do cheiro de pedra molhada e da sensação dos dedos da velha mulher, que pareciam pergaminho seco contra a minha palma. Estávamos escondidas nos fundos das cozinhas, longe dos olhos vigilantes do meu pai e dos ouvidos atentos de seus Executores.— Escute-me, passarinho — a velha, Elara, dissera com sua voz rouca, os olhos nublados pela catarata, mas aguçados por uma sabedoria terrível. Ela deslizou um livro pesado, encadernado em couro, pela mesa de madeira. — Seu pai pensa que o poder é encontrado no cano de uma arma ou no fio de uma lâmina de prata. Ele é um tolo. O verdadeiro poder — o tipo que destrói impérios — está nas mãos daquela que consegue acalmar a fera.Toquei a capa gasta do diário, sentindo o leve zumbido de mil vozes presas em suas páginas. — Mas eu sou apenas uma Ômega, Elara. Sou fraca. Nem consigo me transformar.Elara se inclinou, seu cheiro de ervas secas e poeira antiga me envol
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