Otávio acordou antes do sol.
O quarto ainda estava em silêncio quando ele se sentou na beira da cama, passando a mão pelo rosto como se tentasse acordar o próprio corpo antes da cabeça. Carol dormia de lado, o lençol embolado na cintura, a respiração tranquila demais para alguém que tinha passado a noite com um problema ambulante chamado Otávio Guerra.
Ele ficou ali por alguns segundos a mais do que deveria.
Não tocou nela.
Não deixou bilhete.
Não quis transformar aquilo em promessa.
Vestiu a calça, pegou o paletó do chão e conferiu o relógio caro que nunca esquecia de usar.
Era sempre assim: bastava sair daquele apartamento para o personagem voltar a se encaixar perfeitamente no corpo.
Quando fechou a porta atrás de si, teve a sensação incômoda de que estava saindo do único lugar onde não precisava se explicar.
Otávio entrou no carro.
O celular vibrou quase imediatamente.
Soraya: Pontualidade é essencial hoje.
Ele digitou só uma palavra.
Otávio: Estarei lá.
Não era um