O relógio marcou 07:58 quando Otávio Guerra entrou na sala do conselho. Não havia risos. Não havia luz quente, nem taças, nem slogans sobre legado. Só ar condicionado, madeira cara, telas com números e gente que sabia transformar uma vida inteira em planilhas. Otávio estava impecável. Terno escuro, gravata discreta, expressão neutra. A postura de quem podia falar “bom dia” e, ainda assim, parecer uma ordem. Ele cumprimentou dois conselheiros, apertos de mão rápidos, sem intimidade. Um advogado da família já deixava documentos alinhados. O diretor financeiro abriu uma apresentação. Tudo normal. Quase. Soraya Guerra estava sentada na ponta da mesa, como sempre. Não precisava levantar a voz para dominar um ambiente. Bastava existir. Batom perfeito, colar discreto, olhar que parecia ler pessoas do mesmo jeito que lia contratos. Júlio, ao lado dela, ocupava a cadeira como se fosse dele desde sempre. Otávio não se sentou de imediato. Esperou o diretor financeiro começar a falar, c
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