A mansão Guerra acordava cedo.
Não por necessidade, mas por hábito. Funcionários cruzavam corredores largos como se seguissem uma coreografia antiga, e os cavalos já se movimentavam no haras quando o sol ainda buscava espaço por entre as árvores altas que cercavam a propriedade.
Lilly chegou com malas pequenas demais para quem vinha “ficar”.
Soraya observou tudo da varanda, satisfeita com a precisão do gesto. Nada espalhafatoso, nada excessivo. A garota sabia ocupar espaço sem parecer invasiva. Uma qualidade rara, e extremamente útil.
— Considere esta casa… sua casa — Soraya disse, com um sorriso ensaiado.
Lilly respondeu com um agradecimento educado, postura ereta, olhar atento. Não parecia intimidada. Parecia preparada.
Otávio assistiu à cena à distância, apoiado no parapeito do segundo andar, o café esfriando na xícara esquecida.
A sensação que o acompanhava desde a noite anterior voltara com força: a de estar entrando numa vida que não tinha escolhido.
Horas depois, foi a vez del