O som distante do mar era a única coisa viva naquela madrugada.
Larissa acordou sobressaltada — o relógio marcava 3h47.
O vento batia nas janelas com força incomum, e por um segundo ela teve a estranha sensação de estar sendo observada.
Levantou-se, puxou o robe e foi até a varanda.
A mansão em Mykonos dormia, envolta por uma quietude quase densa demais.
Mas lá embaixo, junto ao portão, uma luz piscava — breve, intermitente.
Um carro preto. Motor ligado.
Ela franziu o cenho e apertou os olhos.
A silhueta de um homem apareceu por um instante antes que a luz se apagasse.
Larissa voltou para dentro, o coração acelerado.
Niko dormia profundamente, exausto após um dia inteiro de reuniões.
Ela hesitou em acordá-lo, mas algo dentro dela — talvez o mesmo instinto que a salvara tantas vezes — dizia que não era prudente ignorar.
Pegou o celular e ligou para Alexis.
— Larissa? São quase quatro da manhã.
— Tem alguém aqui fora — sussurrou ela. — Um carro preto. Parado no portão há pelo menos dez