O som do mar batendo contra as pedras era a primeira música que Matteo Elias Andreadis aprendera a ouvir.
Filho mais novo de Alexandros e Melissa, ele crescera entre o silêncio dos museus e o rigor dos negócios, mas o coração dele batia em outro ritmo — o da rebeldia.
Com vinte e três anos, Matteo era tudo o que o nome Andreadis não sugeria:
jeans rasgados, tatuagens discretas, e um violão gasto pendurado no ombro.
Enquanto os irmãos seguiam o caminho da arte e dos impérios, ele seguira o som das ruas.
Morava em Lisboa, onde cantava em bares pequenos e compunha músicas que misturavam o grego, o português e o inglês.
As letras falavam de liberdade, de amor e de tudo o que não podia ser contido por heranças.
Mas naquela noite, a música parecia diferente.
O bar “Maré Alta” estava lotado — luzes baixas, cheiro de vinho e mar.
Matteo tocava com os olhos fechados, a voz rouca ecoando versos que falavam sobre o peso do nome e a leveza de ser ninguém.
> “Deixo o ouro, fico com o vento,
a hera