Capítulo 96

A fraca luz do banheiro mal desenha meu reflexo no espelho, mas é o suficiente para mostrar o estêncil borrado ainda marcado na minha pele. Há traços dele misturados às sombras do meu rosto, um contraste que não deveria ser bonito… mas é. De um jeito torto. De um jeito dolorosamente feminino.

De um jeito que combina com ele.

Sinto o ar faltar quando percebo que, por um segundo, achei lindo. Como se eu tivesse esquecido quem ele é. O que ele representa. O que fez comigo.

Me afasto do espelho, os dedos pressionando a borda gelada do balcão, tentando me ancorar antes que meus pensamentos me traíram de vez.

Eu não posso vê-lo assim. Não posso me permitir sentir nada por Luciano.

Sou inimiga.

Sou prisioneira.

Sou… o erro de alguém que ele quer apagar.

E ainda assim, ele mentiu para o Tribunal. Manteve meu coração batendo. Me deu dias que talvez eu não deveria ter vivido. Por quê?

Ele diz que foi egoísmo. Que não queria perder mais uma vida sob seu nome. Mas eu não acredito. Não totalmente.
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