O silêncio que se instala depois das minhas palavras é tão denso que parece ter peso próprio. Até o ar ficar parado, como se a sala estivesse prendendo a respiração junto comigo. Os três Conselheiros trocam olhares breves, calculistas, e é Rômulo quem finalmente entrelaça os dedos e inclina o corpo para a frente, buscando minha intenção por trás da proposta.
— Você preparou uma sentença recomendada… para a sua esposa? Ele pergunta devagar, como quem pisa em solo instável.
Forço a cabeça a assentir. O movimento pesa como se eu tivesse aço preso ao pescoço.
— Sim.
Outro silêncio. Mais pesado que o primeiro. Eles me estudam com aquela frieza típica de homens que já decidiram o destino de dezenas, talvez centenas de pessoas, sem jamais demonstrar remorso. Quando finalmente sinalizam para eu continuar, sinto meu coração bater no ritmo de um tambor ritualístico.
— Proponho que a penalidade seja aplicada por mim digo, mantendo a voz firme. Sou o marido dela. Fui eu quem foi desonrado. Então