A água fria escorre por minha pele como lâminas invisíveis que cortam, ardem e despertam mais do que limpam. Eu não sei se estou realmente lavando meu corpo ou apenas tentando, de alguma forma desesperada, arrancar de mim tudo que me prende, tudo que pesa, tudo que dói. A barra de sabão, endurecida e áspera, range contra as cerdas da escova, e depois contra minha pele, como se quisesse arrancar também pedacinhos de mim. Mas eu esfrego mesmo assim, com força, com urgência, com raiva. Quero me se