O veneno estava ali como uma palavra proibida e pesada, ecoando no ar como uma sentença. Quando ouviram aquela acusação, algo se partiu dentro de mim e não sabia como reagir a algo tão absurdo.
Veneno?
Como eu, com as mãos trêmulas de quem ainda tentava entender a própria vida, poderia ser capaz de planejar aquilo? A ideia me parecia tão grotesca que, por instantes, a própria palavra parecia berrar ilógica.
Eles me empurraram. A força do movimento me fez perceber, pela primeira vez, que havia pouco espaço para raciocínio naquele lugar; restava apenas a brutalidade do corpo contra o corpo, a pressa de levar-me onde acreditavam que eu deveria ser julgada. Caminhei numa espécie de atordoamento, como se alguém tivesse diminuído o mundo até caber no fundo do meu peito. Ouvi gritos, ordens ríspidas.
"Cale a boca e ande.”
"Anda.”
Palavras que cortavam como lâminas e me empurravam adiante.
Não entendia por que Luciano não estava ali. Recordei claramente a visita no porão sua sombra, a voz