Ouço o som da porta se fechando e, logo em seguida, o giro pesado da fechadura. Aquele ruído metálico, que antes me assustava, agora parece parte da respiração deste lugar um eco que se repete toda vez que me lembro de que não sou livre. O silêncio volta a dominar, quebrado apenas pelo som irregular da minha própria respiração e pelo leve farfalhar das folhas do lado de fora.
Por alguns segundos, tudo parece suspenso. Tento mover os braços, mas a corda me prende com força cruel, apertando o mesmo ponto já ferido, e sinto a pele arder. Meus pulsos latejam, e cada batida do coração é como um golpe interno, dolorido e insistente. O tecido áspero do vestido, agora úmido pelo frio, gruda na pele, tornando a sensação ainda mais incômoda.
Eu o escuto se afastar. Seus passos desaparecem aos poucos, até restar apenas o som do vento, o gemido distante das árvores e o bater irregular do meu coração. Sinto o desespero crescer dentro de mim, como um animal tentando escapar da gaiola.
“Ele não pod