Eu me recuso a continuar sendo o espetáculo deles. Um corpo exposto, uma fraqueza exibida para satisfazer o prazer cruel dos que vivem do meu sofrimento. Juro a mim mesma e a tudo que ainda resta em mim que nenhum deles verá mais minhas lágrimas. Nenhum deles verá minha fraqueza.
— Rosália! A voz de Ana ecoa pelo corredor.
— Estou bem! Minto, forçando um tom firme que mal sustenta o peso do desespero.
O corrimão escorrega sob minhas mãos suadas. Subo os degraus sem fôlego, sentindo o coração bater descompassado enquanto o pânico me arrasta. Só paro quando a porta do meu quarto se fecha atrás de mim, quando o trinco gira e o som metálico me concede o único pedaço de liberdade que ainda possuo.
Corro para o banheiro e desabo no chão frio de ladrilhos. As costas contra a porta, o corpo curvado, os absorventes espalhados aos meus pés como o retrato de uma mulher derrotada. Fecho os olhos e respiro fundo, tentando não desabar completamente. Mas o nó na garganta me sufoca. O gosto do sal