O amanhecer chegou tímido, vestindo o céu com um tom laranja pálido que filtrava-se pelas cortinas abertas. A claridade tocava o quarto com delicadeza, mas o que deveria ser um convite à esperança se tornou um lembrete cruel de que o dia começava e com ele, a dor.
Senti as cólicas primeiro, uma pontada aguda no baixo ventre que me arrancou o ar. Pisquei, tentando organizar os pensamentos. O lençol estava amassado, quente do corpo e do sofrimento da noite anterior. Quando o empurrei para o lado, vi a mancha vermelha se espalhando pelo branco impecável do tecido — uma mancha que selava mais uma decepção, mais uma ironia do destino.
Henrique havia conseguido. Luciano, porém, ficaria desapontado.
O sangue, desta vez, não representava o que ele esperava.
Levantei com esforço e caminhei até o banheiro. O frio do piso de mármore me fez estremecer. Abri o armário sob a pia, procurando algo que pudesse conter o fluxo, mas o vazio me devolveu um pânico mudo. Nenhum pacote, nenhum vestígio de q