A preparação era um ritual encenado com precisão cirúrgica, uma coreografia que mascarava as verdadeiras intenções sob brilho e seda. Felicia ajustou a máscara com dedos ágeis, presos ao papel de senhora que aprendeu desde cedo a transformar hostilidade em elegância. Eu a observava pelo reflexo do espelho: o gesto era rápido, quase mecânico, mas havia uma tensão que não se escondia. A boca dela apertava-se numa linha exata não havia sorriso, apenas uma severidade calculada.
— Perfeito. Disse ela, sem calor.
— Está lindamente diabólica.
Aquelas palavras, ditas como um veredicto, ecoaram mais alto do que o esperado. Eram um reconhecimento envenenado: beleza e ódio ali, intimamente ligados. Eu senti o metal da máscara contra a pele e, por um instante, pensei que poderia ser a proteção que desejava mas sabia, com a clareza cortante de sempre, que era apenas outro ornamento na gaiola dourada em que vivíamos.
Perguntei o que havia com ela, tentando raspar qualquer resquício de normalida