Ele me ergue em seus braços antes mesmo que meu pé descalço toque o chão. A capa em que me envolveu escorrega dos meus ombros, e, por um instante, quase cai, mas ele a segura com firmeza, como se fosse mais uma extensão do controle que exerce sobre mim. O tecido me envolve novamente, e quando tento afastar o rosto do seu peito rígido, quando tento libertar meus pulsos de seu aperto, ele apenas aumenta a força.
— Me solte, Luciano. — minha voz sai tensa, um pedido que carrega raiva e cansaço.
— Não. — responde ele, simples e frio, sem emoção.
Francisco abre a porta da frente, e Luciano me carrega para dentro. O calor da casa contrasta com o frio que ainda se espalha dentro de mim. É um frio que nenhuma lareira seria capaz de aquecer, porque não está na pele — está na alma. O que ele fez esta noite foi imperdoável: uma exibição pública, uma humilhação calculada. Sua total indiferença com meu bem-estar prova que não existe humanidade nele.
Ele me destruiu diante dos outros, como se eu fo