Capítulo 46

O motor ainda vibrava quando a respiração de Rosália se fez audível atrás da máscara.

Francisco deteve o carro, e o portão de ferro ergueu-se como um presságio. O complexo dos Fundadores parecia uma fortaleza sem tempo, feito para silenciar qualquer ruído da consciência. Ali, cada passo ecoava como sentença.

Luciano abriu a porta e, sem pressa, soltou as amarras dos punhos e tornozelos da esposa. O couro libertado deixou marcas discretas — lembranças geométricas do que fora controle. Cobriu-a com o cobertor e, sem palavras, guiou-a pela alameda de pedras. O ar da noite tinha cheiro de metal e vinho; um punhado de homens bebia no pátio. Quando o viram, desviaram o olhar. Ninguém ousava sustentar a curiosidade diante de um Fundador em função.

O corredor que conduzia à Casa da Facção era estreito, iluminado por lâmpadas âmbar. As paredes guardavam ecos: o ranger das correntes de treinamento, o som do couro ao ser testado, gemidos indistintos — não de dor, mas de catarse. Tudo ali era ela
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