Quando Rosália despertou, não foi o silêncio que a fez abrir os olhos, mas sim um zumbido distante e familiar, como o eco de um mundo que por instantes ela esquecera existir. O ar possuía um perfume doce, quase acolhedor, e uma claridade intensa atravessava o quarto, rasgando as sombras que por dias haviam sido suas companheiras.
— Você está dormindo o dia todo, querida disse Ana, com a voz suave de quem já se acostumara àquela rotina.
Rosália piscou, semicerrando os olhos contra a luz que invadia o ambiente. Por um momento, precisou se convencer de que aquilo era real.
“É o sol?”, pensou, surpresa.
Sentou-se lentamente, sentindo a seda da camisola deslizar sobre a pele como um toque frio e luxuoso. O quarto era o dela não o dele. Reconheceu os travesseiros, os lençóis e a disposição dos móveis. Era como se, após uma longa ausência, tivesse retornado a um lugar que já não lhe pertencia por inteiro.
— Que horas são? Perguntou, a voz ainda rouca de sono.
— Quase meio-dia respondeu Ana