Meus olhos deslizam até o caderno de desenho aberto sobre a mesa: as páginas expõem, sem recato, o esboço que fiz da minha mãe no dia do enterro. Não pude comparecer; estava no hospital. Felícia, previdente e fria, garantiu que a cerimônia fosse filmada para mim, e eu vi aquelas imagens vezes incontáveis. O retrato da minha mãe, despedaçada pela dor e pelo luto, ficou impresso na minha memória de um modo que nunca destinara a ser partilhado — e, ainda assim, ali estava, grafitado em papel. Uma