Dez minutos depois, eles estavam na traseira do carro, com Francisco ao volante. O trajeto até o complexo dos Fundadores transcorreu silencioso, ladeado por luzes que cortavam a noite como lâminas sóbrias. Luciano observava a sombra de Rosália refletida no vidro: contida, rígida, os ombros sustentando um peso invisível. Ela não perguntava nada; ele também não. A economia de palavras não era descuido — era método. Há coisas que, no universo deles, só se compreendem quando não se dizem.
O portão eletrônico reconheceu o veículo e abriu-se com uma obediência quase cerimonial. A arquitetura do complexo, sóbria e imponente, parecia ter sido desenhada para condicionar o comportamento: colunas verticais, luz indireta, corredores que sugeriam reverência. Ao descerem, Luciano envolveu os ombros de Rosália com um cobertor e, com um gesto firme porém comedido, orientou-a para a passagem lateral que conduzia à Casa da Facção. Não houve pressa; apenas a cadência precisa de alguém que conhece a sal