Ele me ergue com uma firmeza súbita e inabalável, desfazendo em um instante toda a ternura que antes pairava entre nós como se aquele instante de delicadeza jamais tivesse existido.
A realidade bruta toma seu lugar, fria e implacável, como eu havia pressentido. Meu corpo se tenciona primorosamente sob seu toque firme, sem direito a hesitações ou súplicas.
— Luciano, sussurro, quase implorando, enquanto suas mãos prendem meu braço em um ângulo cruel, puxando-me com uma força que dói, que sufoca. Ele nem se abala com minha resistência. Envolve o rosário que está sobre a mesa de cabeceira, seu símbolo silencioso de um Deus que no momento parece alheio àquela cena, e me arrasta porta afora. Os passos dele são firmes, cada pisada ecoando autoridade e uma certeza que me aterroriza, enquanto os meus são hesitantes, quase inaudíveis, trêmulos diante da aura ameaçadora da casa que nos envolve como um abraço gélido.
— Você está me machucando, arrisco protestar, a voz quebrada pela dor que com