As velas novas já queimam quando empurro a porta do quarto. O cheiro de cera aquecida se mistura com o de um caldo leve e de pão tostado, como se o espaço inteiro tivesse sido limpo de sombras por um ritual silencioso. Rosália está sentada à mesa pequena, perto da janela, terminando o que Ana trouxe. Há migalhas miúdas no guardanapo dobrado, e, quando ela leva a colher à boca, fecha os olhos por um instante – um segundo inteiro de paz pousa nos cílios dela antes de desaparecer. É a cena mais si