Antes de tudo desmoronar, houve um instante em que o achei gentil, quase carinhoso. Um lampejo frágil de ternura que parecia capaz de romper as paredes impenetráveis do nosso silêncio.
Quando ele soube que eu não tinha comido, seus olhos se encheram de preocupação ou seria outra coisa? Aquelas sobrancelhas franzidas que não indicavam raiva, mas sim um afeto delicado demais para crer. E quando ele limpou a tatuagem que marcava minha pele, sua mão foi suave, cuidadosa, quase reverente.
Meu coração hesitou, estremeceu. E quando a mão dele escorregou por minha camisola, tocando meu peito com tanta leveza que me encorajei a me inclinar no seu toque, algo dentro de mim se despejou em uma confiança inesperada.
— Você gostou disso? Sua voz cortou o silêncio, rouca e baixa, carregada de uma intensidade desconcertante. Balanço a cabeça com força, quase desesperada para afastar aquele pensamento.
— Não! Respondi, a voz firme apesar dos tremores internos. Então, num movimento tão brusco que meu