Capítulo 28
Meu coração disparava em descompasso dentro do meu peito, uma batida frenética que ecoava dentro de mim como um tambor de guerra antigo, impossível de silenciar. Meu corpo, pesado como chumbo, parecia resistir a cada movimento, enquanto um calor sufocante queimava em lugares que eu sequer sabia existir — uma ardência profunda, dolorosa, que atravessava minha pele e se alojava em minha alma.O quarto de hóspedes parecia um mundo à parte. Quase não havia janelas — apenas uma pequena fresta encoberta por uma cortina grossa de veludo negro, barrando a luz e qualquer esperança exterior. As paredes, pintadas de um preto opaco, absorviam as sombras das poucas velas espalhadas pela pequena cômoda e pelo chão, fazendo as chamas dançarem como espectros em círculos tortuosos. O ar estava denso, quente demais para um espaço tão pequeno, impregnado do cheiro amargo do suor, do sangue e de velas de cera barata.Eu estava ali, deitada de bruços na cama simples, coberta por um lençol áspero que parecia