Capítulo 25

Piso no véu arruinado e sinto o tecido áspero rasgar um pouco mais sob o meu calcanhar, como se aquele pedaço de renda preta fosse a derradeira metáfora da minha inocência sendo esmagada. Luciano fecha a mão em volta do meu braço firme demais, quente demais e me conduz até a porta da capela como quem retira uma peça do tabuleiro sem se importar com o que ela sente. Eu tropeço no próprio medo e, por um instante, quase peço para ele parar, mas a palavra morre na garganta, esbarrando na lembrança vergonhosa do que aconteceu lá dentro, o susto, a confusão, a audácia da sua boca na minha pele, o modo como meu corpo traidor acelerou, o modo como ele tomou de mim o final que, por um segundo, achei que me pertencesse.

Senti raiva. Uma raiva bruta, pegajosa, que me ferveu por dentro e me fez dizer “basta” como quem ergue um escudo. Mas o escudo é leve, e ele é o homem que todos aprendemos a temer. E eu odeio que o cheiro dele de madeira e couro, fique preso em mim como se fosse um selo. Odei
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