Este é um tipo de sono diferente de todos os outros. Não é tão pesado, não me puxa para baixo com a mesma força. Há vozes atravessando a névoa antes mesmo de eu conseguir entender onde estou. Quando meus olhos se abrem, tudo está embaçado, e um rosto estranho entra lentamente em foco.
Bom dia, Rosália, diz ele com uma voz calma e profissional. Sou eu, Dr. Guilherme. É muito bom ver você novamente.
Viro a cabeça ao perceber movimento na lateral da minha visão. O esforço não é tão grande quanto antes, não dói do mesmo jeito. Luciano surge diante de mim e meu peito aperta. Ele parece não dormir há dias. O cabelo está desalinhado, os olhos vermelhos, fundos, marcados por um cansaço que atravessa a pele. Mesmo assim, quando ele sorri, algo dentro de mim se acalma.
Então percebo o que ele está segurando. Algo pequeno se mexe em seus braços e emite um som suave.
Minha mão se arrasta, lenta, confusa, em direção à minha barriga.
Essa é a nossa bebê, Rosália. Você consegue vê-la? pergunta Lucia