Francisco balança a cabeça em silêncio e fecha a porta do meu escritório, deixando-me sozinho com Vittorio.
O velho está sentado em uma cadeira próxima à janela, a luz cinzenta do dia recortando sua silhueta frágil. A bengala repousa apoiada na perna, como se fosse uma extensão do próprio corpo. Ele parece estar se recuperando, sim, mas isso não diminui a impressão de vulnerabilidade que carrega. Ou talvez seja apenas a forma como eu o enxergo agora.
Caminho até a minha mesa e meu olhar pousa, por um segundo a mais do que deveria, na garrafa de uísque. Penso em servir um copo. Desisto. Quando me viro para encará-lo, encontro algo inesperado em seus olhos.
Determinação.
Vittorio se endireita com esforço, os ombros rígidos, o queixo erguido. Não há medo ali. Há aceitação.
— Se você vai fazer isso aqui ele diz, a voz firme apesar da idade peço apenas que seja em algum lugar onde minhas filhas não possam ouvir.
Inclino a cabeça levemente, estudando-o.
— Você realmente acha que eu o trouxe