Sento-me na mesma beirada onde meu pai costumava se sentar, o corpo rígido, as mãos pousadas nos joelhos, encarando o altar onde agora repousa a foto dele. As imagens memoriais dele e de Guilherme na capela foram substituídas, mas algo neste espaço permanece diferente. Mais pesado. Mais silencioso. Como se as paredes ainda guardassem tudo o que nunca foi dito.
Eu não sou mais o mesmo homem que esteve aqui antes, lamentando aquelas mortes como se tivesse perdido o chão. Ainda sofro por eles. Isso não mudou. Mas a dor não tem mais a mesma forma. Não é mais aquela ferida aberta, pulsante. É algo mais profundo, mais consciente. Quando olho nos olhos do meu pai, tão duros até na fotografia, me pego questionando sua eterna decepção.
E, no fundo, é isso que eu sempre vi.
Se ele estivesse aqui agora, diria exatamente o que sempre disse. Que eu sou fraco. Patético. Que falhei. Que não concluí o que comecei. Que não fui homem o suficiente para ir até o fim. Ele se enfureceria ao perceber que eu