À medida que ele se mexe, continuo deitada ao seu lado, imóvel, como se qualquer movimento meu pudesse acordar algo que prefiro manter adormecido. Ouvir sua respiração uniforme é quase hipnótico. Profunda. Pesada. Ele está desmaiado. Não dormindo. Desmaiado mesmo. O corpo cedeu depois de dias, talvez semanas, sendo empurrado além do limite. Falta de sono. Bebida demais. Raiva demais. Culpa demais. Preocupação demais.
E eu sei que sou capaz de aumentar essa preocupação no instante em que ele abrir os olhos.
Sento-me na cama devagar, o colchão afundando sob o meu peso, e acaricio sua cabeça escura com cuidado, afastando o cabelo do rosto dele. Meus dedos tremem. Não de medo. De consciência. Deus… que bagunça ele se tornou. Que bagunça nós nos tornamos.
Ele se mexe de leve, um reflexo quase instintivo, e a mão encontra a adaga que carregava na noite passada. Meu estômago revira. Eu havia voltado para buscá-la depois que ele adormeceu, quando o sono se recusou a vir para mim. A lâmina est