— Eu só… se eu ficar, não vou ser colocada de novo naquele quarto.
Luciano franze a testa na mesma hora.
— Se?
Respiro fundo, sentindo o peito apertar.
— Quero dizer… eu não consigo passar por aquilo outra vez, Luciano. Se você não aguentar me ver, me mande embora. Quando o bebê nascer, a gente dá um jeito…
Ele me encara como se eu tivesse dito a coisa mais absurda do mundo.
— Você é idiota?
— O quê?
— Ou tem algum problema de audição? Ele segura minhas mãos, firme, quente. Eu vim por você. Por você, Rosália.
Engulo em seco.
— Você é minha esposa.
— No nome.
— Não ele rebate, sem hesitar. Não só no nome. Não mais.
Ele sustenta meu olhar.
— Não pra mim. Não pra você. E você sabe disso.
O silêncio entre nós pesa, carregado de coisas mal resolvidas. Até que ele fala de novo.
— O que exatamente a Charlotte te disse?
Solto o ar devagar.
— Eu não queria colocá-la em apuros.
— O que ela te disse?
— Nada demais. Ela só achou que eu já sabia que você tinha assumido os cuidados do meu pai.