— Luciano? Santiago atende no segundo toque.
— Desculpa digo, passando a mão pelo rosto. Estava acomodando minha esposa. Voltei agora pro escritório.
Sento na cadeira e encaro a garrafa de uísque sobre a mesa. Ela parece me chamar. Dois dias como esses pedem um gole forte, mas eu viro o rosto. Não agora. Não enquanto a segurança da Rosália ainda estiver em jogo. Não vou baixar a guarda nem por um segundo.
— E ela, como está? Santiago pergunta. O tom é educado, neutro. Ele não desperdiça emoção com quem não conhece a fundo. Preciso lembrar disso. Ele é meu igual. Não é indiferença, é método.
— Cansada respondo. Precisa descansar. O médico garante que ela vai ficar bem. O bebê também.
— Ótimo ele diz. Imagino que a papelada que apareceu na minha mesa hoje seja algo que você queira discutir.
— É.
— De onde vieram aqueles arquivos?
Respiro fundo antes de responder.
— Vittorio tem uma casa segura. Um lugar que o Henrique vinha usando para fins próprios, pelo que tudo indica. Está no