Luciano não desgruda de mim um segundo sequer. Depois de me dar banho, ajudar a escolher a roupa e praticamente conferir cada botão da camisa, ele se encosta na parede, braços cruzados sobre o peito, numa postura tensa demais para alguém que tenta parecer calmo. Fica ali, atento, enquanto o médico faz perguntas, explica com cuidado o que me aplicaram e usa palavras difíceis demais para um momento tão simples e tão pesado ao mesmo tempo.
Um relaxante muscular. Forte. No lugar de um anestésico.
Luciano bufa na mesma hora em que o médico menciona o outro médico, usando um termo técnico que eu nem presto atenção.
— Ele não era mais médico, dispara se Luciano, a voz dura. Mas, como profissional, deveria ter honrado o juramento.
O médico limpa a garganta, visivelmente desconfortável, mas mantém o tom sereno.
— Não houve prejuízo para você nem para o bebê. Isso é o mais importante agora.
Ele se aproxima e segura meu rosto com cuidado, virando levemente minha cabeça para observar o hematoma