Luciano não desgruda de mim um segundo sequer. Depois de me dar banho, ajudar a escolher a roupa e praticamente conferir cada botão da camisa, ele se encosta na parede, braços cruzados sobre o peito, numa postura tensa demais para alguém que tenta parecer calmo. Fica ali, atento, enquanto o médico faz perguntas, explica com cuidado o que me aplicaram e usa palavras difíceis demais para um momento tão simples e tão pesado ao mesmo tempo.
Um relaxante muscular. Forte. No lugar de um anestésico.
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