— Você pode confiar que eu não vou te trair — digo, a voz firme por fora, mas com o peito em ruínas por dentro. — Porque… porque a minha esposa jamais me perdoaria se eu fizesse isso. E, apesar de tudo o que você possa pensar de mim… eu me importo com ela. Eu me importo de verdade. Eu a quero de volta em casa, comigo… no lugar dela. É só isso que eu quero. Nada além disso.
Engulo em seco, o gosto amargo da ansiedade ardendo na garganta.
— Eu não tenho motivo nenhum para te entregar. A não ser que você se recuse a me ajudar a encontrá-la.
Rulli não responde de imediato. Ela apenas me encara. Longo demais. Intenso demais. Seus olhos passam pelo meu rosto como se estivessem me desmontando peça por peça, buscando rachaduras, mentiras, qualquer sinal de falsidade. Sua respiração fica irregular, os lábios comprimidos num esforço contido.
Por um instante, penso que ela vai recuar. Que vai rir de mim. Ou me acusar. Mas então algo em sua expressão cede. Não totalmente — apenas o suficiente