Respiro fundo, segurando o lençol rosa entre os dedos. Ele é simples, quase infantil, mas… limpo. Cheira a sabão, a roupa estendida ao sol, a calmaria de um lar que nunca foi meu. O que é estranho, porque esse lugar deveria me dar medo — é isolado, vazio, usado às escondidas — mas, por algum motivo, sinto algo diferente. Um aperto estranho no peito. Uma sensação de déjà vu, como se alguma parte de mim reconhecesse esse espaço, mesmo sem lembrar de tê-lo visto antes.
Coloco o lençol de volta devagar, quase com cuidado demais para alguém que acabou de fugir e está escondida numa casa misteriosa. Me sinto uma intrusa… e ao mesmo tempo uma convidada que não sabe se deveria estar aqui.
Passo a mão no rosto, tentando me recompor. Meu reflexo ainda dói. Eu sei que estou abatida, pálida, com olheiras profundas. Meus olhos parecem cansados de lutar — e eu nem sei como ainda estou de pé.
Minha cabeça está cheia.
Cheia de perguntas.
Cheia de medo.
Cheia de um amor que me destrói e me sustenta ao