Levo os lençóis para o quarto principal, tentando me convencer de que estou fazendo algo simples, banal… como alguém arrumando uma cama em qualquer dia comum. Mas nada aqui é comum. Nada em mim é comum. E, principalmente, nada sobre essa casa é normal.
O peso dos lençóis nos meus braços é bem menor que o peso na minha mente. O pensamento martelando, insistente, teimoso, impossível de ignorar:
Papai.
Essa casa.
O mistério que sempre existiu nele e que agora parece maior do que nunca.
Coloco os lençóis sobre a cama e desabo na beirada como se minhas pernas não conseguissem mais me sustentar. Meu olhar corre pela cômoda antiga — a madeira escura, os puxadores gastos, as marcas de uso que não deveriam me dizer nada… mas dizem. Dizem demais.
Uma parte de mim — a parte ferida, confusa e desesperada por respostas — quer fugir das gavetas. A outra… a outra quer abri-las todas e descobrir a verdade que talvez destrua o pouco que ainda resta da minha sanidade.
No fim, a segunda vence.
Abro a pr