Capítulo 146

Levo os lençóis para o quarto principal, tentando me convencer de que estou fazendo algo simples, banal… como alguém arrumando uma cama em qualquer dia comum. Mas nada aqui é comum. Nada em mim é comum. E, principalmente, nada sobre essa casa é normal.

O peso dos lençóis nos meus braços é bem menor que o peso na minha mente. O pensamento martelando, insistente, teimoso, impossível de ignorar:

Papai.

Essa casa.

O mistério que sempre existiu nele e que agora parece maior do que nunca.

Coloco os lençóis sobre a cama e desabo na beirada como se minhas pernas não conseguissem mais me sustentar. Meu olhar corre pela cômoda antiga — a madeira escura, os puxadores gastos, as marcas de uso que não deveriam me dizer nada… mas dizem. Dizem demais.

Uma parte de mim — a parte ferida, confusa e desesperada por respostas — quer fugir das gavetas. A outra… a outra quer abri-las todas e descobrir a verdade que talvez destrua o pouco que ainda resta da minha sanidade.

No fim, a segunda vence.

Abro a pr
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